Morro de sede! a minha ânsia...

Vinicius de Moraes

Morro de sede! a minha ânsia  Não pode mais  Dêem-me água fria, dêem-me leite  Dêem-me morangos verdes, verdes  Dêem-me a boquinha de Yayá.  Meu corpo todo sente a falta.  Sinto sede, quero me embebedar de cerveja gelada  Quero que chova, eu sentado num bar galego... e as raparigas  Estou cáustico, meus pulrnões estertoram, […] meu estômago  Se contrai como um corvo, ardendo do verde absinto.  Ah, quero a plenitude fria, mulheres gordas de nádegas abaixo, de seios.  Preciso dos banhos de bica, das sensatas intermináveis dores do coração  Dêem-me cigarros fortes, salada de batata e um pouco de gelo para eu chupar.  Sinto sede! quero dormir na língua de Marian Anderson ouvindo cantos.  Quero acampamentos.