A morte em mim. Alguém (o medo) desce...

Vinicius de Moraes

A morte em mim. Alguém (o medo) desce  Uma rua noturna, e de repente  Vê, soturna, no céu, a Lua, e sente  O horror da Lua, e súbito enlouquece.  A morte em cada ser. E alguém (a mágoa)  Que por insone chega-se à janela  Possui a mesma Lua dentro dela  Que em sua carne se transforma em água.  A Poesia em tudo.  E a doçura de não ser mais. Ficará  Sentado, na vertente, junto ao rio  Vendo umas nuvens brancas, vendo o rio.