Abandono

Adalgisa Nery

A exaustão faminta Procura elementos ainda vivos no meu ser Talvez guardados em escuros vácuos Que carrego sem saber. Alimenta-se do sopro das imagens Desenhadas pela minha imaginação Pelo tato dos meus sentimentos, Pelo pânico do desconhecido. Aparece como febre constante dilatando as minhas carnes Descoloridas e sem sabor de vida. A exaustão sobre pelos meus pés, Cobre os meus gestos incipientes, Prende a minha língua, Suga o meu cérebro, ninho de aranhas em fogo, Pousa no meu cabelo como morcego. Exaustão que funga o ar, que saqueia o meu silêncio, Último repouso nos meus vácuos devassados.