De sobre ti levanto o meu cadáver...

Vinicius de Moraes

De sobre ti levanto o meu cadáver.  Vejo teus seios que fogem, teu rosto que se cobre de sombras  O ventre maldito nos acorrenta ainda.  Sinto que penetras um mar desconhecido  Que te diluis lentamente, as pupilas abertas no flanco das águas  Que aprofundas regiões onde eu nunca poderei chegar  O mistério cobre-te da presença da morte  És tu mesma e não eu - eu sou o corpo que bóia.  De sobre ti, mulher, levanto o meu cadáver.