Lisboa tem terremoto...

Vinicius de Moraes

Lisboa tem terremoto  Porém, em compensação  Tem muitas cores no céu  Muitos amores no chão  Tem, numa casa pequena  O poeta Alexandre O'Neill  E a bela Karla morena  Na embaixada do Brasil  Aymé! o mote repete  Lisboa tem terremoto  Mas tem o Nuno Calvet  Para lhe fazer cada foto!  É, eu sei - retruca o mote  Que não me deixa mentir  Lisboa tem terremoto  Não deve nada a Agadir  Mas, já que estamos nos sismos  Capazes de destruir  Tem o ator Nicolau Breynes  Pra gente morrer... de rir  Tem David, irmão de Jayme  E Jayme, irmão de David  Não fossem os Mourão Ferreira  E eu nunca estaria aqui.  Pois é, o mote reclama  Lisboa tem terremoto  Mas tem o fato da Alfama  Tem o sapato do Otto  (Sapato, claro, é maneira  Carinhosa de dizer  Pois fosse o Otto sapato  Eu também queria ser)  E o Otto tem sua Helena  E Helena, seu broto em flor  A nena Helena Cristina  (Ou Maria-Pão-de- Queijo)  De quem eu sou cantador.  Em matéria de Cristinas  Só temos saldo a favor!  Mas, alto! me grita o mote  Mote-mote, mote-moto  Deixe de tanto fricote  Lisboa tem terremoto!  E você? Parta-o um raio!  Terremoto… é natural  Mas e a Terezinha Amayo  E a Laurinha Soveral  E essa coisa pequenina  De quem todo mundo gosta  A sempre altiva menina  Que se chama Beatriz Costa?  E Amália, a grande, a divina  Que é de Portugal a voz  Ela também quando cisma  Não faz tremer todos nós?  E está tudo bem, meu velho  És de Lisboa um devoto  Mas pergunta do Antonio Aurélio  Que é arquiteto e tem teto  Lisboa tem terremoto!  Mas tem, em contrapartida  O Antônio […] da Câmara  Pra lhe contar outra história  Um bom amigo, que em vida  Soube conquistar a glória.  E a Glória tem Terezinha  E tem Wandinha que é um amor  Quem teve brotinhos assim  Não tem medo do tremor.  E tem o Raul Solnado  Que eu acho um senhor ator  Quem tem atores assim  Não tem medo de tremor.  - Lisboa tem terremoto  Geme o mote, ao expirar  - Faz figa! Faz figa, Otto!  Terremoto? Sai, azar!